Sunday, September 23, 2012

Cartas inéditas expõem o pensamento de Jorge Amado nos anos 40 e 50


LUÍS ANTÔNIO GIRON
Um dos maiores mistérios da literatura brasileira é a mudança radical do escritor Jorge Amado nos anos 1950. Na primeira metade da década, ele era um autor politicamente engajado. Escreveu em 1951 Um mundo da paz, livro de viagem que exalta as proezas do ditador Josef Stálin e dos países da antiga Cortina de Ferro. Na mesma época, embrenhou-se numa longuíssima ficção formatada na estética do realismo socialista, Os subterrâneos da liberdade, que seria publicada em 1954. Depois disso, ficou quatro anos sem publicar romances. Voltou em 1958 totalmente transformado. Em Gabriela, cravo e canela, e nos livros que se seguiram, o engajamento político daria lugar a uma ficção exuberante, colorida, viva, que o tornaria um dos escritores mais queridos do Brasil e inspiraria diversos filmes e novelas de televisão. São dessa fase, além de Gabriela, algumas de suas melhores obras: Os velhos marinheiros, Dona Flor e seus dois maridos, Tenda dos milagres e Tieta do Agreste. O que aconteceu entre 1954 e 1958 para haver transformação tão radical? Um fator, claro, deve ter sido a denúncia dos crimes de Stálin pelo líder soviético Nikita Kruschev, em 1956. Jorge Amado nunca falou longamente sobre sua desilusão com o comunismo – daí o mistério. Por causa disso, o lançamento, nesta semana, de um volume de cartas inéditas escritas entre 1948 e 1967 causou expectativa entre os fãs e estudiosos do escritor. 
Toda a saudade do mundo: a correspondência de Jorge Amado e Zélia Gattai. Do exílio europeu à construção da casa do rio vermelho (Companhia das Letras, 192 páginas, R$ 34,50), organizado por João Jorge Amado, filho do casal, contribui pouco para deslindar o mistério. Por duas razões. A primeira é que a maior parte das cartas da seleção versa sobre temas de cunho pes¬soal. A segunda é que, para burlar a censura, Jorge Amado evitava falar de política e usava certos “códigos” para comentar determinados temas com sua mulher, a escritora Zélia Gattai. Chamava a União Soviética de “o país dos meus amigos”. Mencionava amigos militantes de forma indireta: Pablo Neruda era “o poeta” e o escritor russo Ilya Ehremburg era chamado de “Ikya”. Provavelmente, eram cuidados inúteis. Todo mundo sabia o que ele estava fazendo. Até os espiões do governo Dutra.
Embora a questão mais importante tenha ficado de fora, o pacote de cartas tem outros atrativos. Segundo o organizador da reedição das obras de Jorge Amado, Thyago Nogueira, o volume traz alguns de seus derradeiros textos inéditos. “Outras cartas hão de ser achadas”, afirma Nogueira. “E há ainda uma dezena de páginas do romance Bóris, o Vermelho, que ele estava escrevendo quando morreu e podem ser reveladoras.” As cartas foram encontradas pelos filhos em cinco pastas deixadas por Zélia Gattai. “Não foi difícil organizá-las”, diz João Jorge. “Difícil foi segurar a emoção.” A correspondência entre Jorge e a família é repleta de manifestações de amor, saudade e de luta pela sobrevivência no exílio em Paris, de 1948 a 1950, e – quando expulso da França – em Praga, de 1951 a 1952.
As cartas de Jorge são datilografadas às pressas ou, quando lhe faltava a máquina, redigidas à mão, algo que ele detestava. As que a família enviava a ele contam miudezas cotidianas. O conjunto narra a vida de Jorge e sua “querida Zé” nos anos 1940, entre compromissos políticos, dificuldades econômicas, a criação de dois filhos – Paloma e João Jorge – e o medo de serem eliminados num dos expurgos de Stálin. Longe de casa, Jorge declara seu amor a Zélia. Em certas passagens, subestima a beleza da pianista Anna Stella Schic (1925-2009), com quem parece ter tido um caso que provocou ciúme em Zélia. Muitas vezes pede à mulher que envie mantimentos. Hospedado em hotéis baratos em Paris, tentava concluir o terceiro volume da sagaOs subterrâneos da liberdade e divulgar a arte e a literatura brasileiras.
Uma carta de Jorge Amado a Zélia Gattai (Foto: divulgação)
As melhores fontes para entender a guinada do escritor nos anos 1950 continuam a ser seus livros de memórias. Em Navegação de cabotagem, ele conta do choque que sofreu quando, entre 1951 e 1952, ficou hospedado num castelo em Praga com outros escritores comunistas. Lá, tomou conhecimento de que havia tortura na União Soviética, algo que dizia desconhecer. Além disso, amigos foram expurgados e eliminados no período de Praga. Em entrevistas, Jorge e Zélia disseram que a repulsa ao stalinismo se deu mais pelo pavor que testemunharam do que por argumentos racionais. Nas primeiras cartas enviadas a Zélia, antes que ela se juntasse a ele em Praga, Jorge deixa entrever a angústia. Mas não fala de política explicitamente nas cartas nem esmiuçou o tema em entrevistas posteriores. “Meu pai manteve o segredo sobre os detalhes de sua militância”, afirma João Jorge. “Isso não significa que não tenha mantido, até o fim, sua posição em favor dos pobres contra os ricos, dos fracos contra os fortes. Não houve uma mudança de pensamento. Ele apenas se afastou da rigidez comunista e trocou o realismo socialista pela crítica e pelo humor.” O romance brasileiro saiu ganhando.
Publicado en Epoca (Brasil), 16/09/2012
Foto: O RETORNO/Jorge Amado, Zélia Gattai e seus filhos Paloma (no colo) e João Jorge no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em 1952. De volta do exílio em Praga (Foto: acervo Folha Press)

Friday, September 21, 2012

Dictadura de Banzer aceleró el exterminio Pacahuara y el actual Gobierno lo consumó



© Wilson García Mérida
El 7 de junio del 2011,llevando al lugar donativos como lámparas solares y radio-transistores, funcionarios de la empresa EBA y representantes de la cooperación alemana visitaron la reservación Chacobo-Pacahuara en Puerto Tujuré (a 145 kilómetros de Riberalta, Beni), donde los últimos guerreros pacahuaras que fueron forzados a mestizarse con sus parientes lingüísticos chácobos, insisten en denunciar, a quien los oiga, que se encuentran en aquel lugar en contra de su voluntad y forzados durante la dictadura del general Hugo Banzer Suárez a abandonar su territorio originario que se encuentra cientos de kilómetros más al norte y sobre la frontera con el Brasil, en la provincia Federico Román de Pando.
El periodista Remberto Terrazas Pareja, comunicador de la empresa EBA, se refirió en un reporte de prensa a la familia de los esposos Bose y Buca Yacu como “los últimos pacahuaras que fueron traídos desde Río Negro en Pando”.

Un pueblo que resiste el exterminio


Bose Yacu vio cómo mataron a su padre, un jefe guerrrero pacahuara, antes de ser despojados de su territorio en Pando bajo la dictadura de Banzer.
Los Pacahura resistieron tenazmente a la evangelización durante la colonia, eran los más irreductibles entre los irreductibles. Pero el advenimiento de la República produjo un ejército masacrador al servicio de los gamonales de la goma, y de la resistencia pasiva y festiva pasaron a la resistencia del arco y la flecha para preservar dramáticamente un territorio que se les achicaba a medida que el capitalismo depredaba su cultura y su bosque.
En 1795, comisionado por el Gobernador de Moxos Miguel Zamora Treviño, el padre Francisco Javier Negrete llegó a este “país pacaguara” que contaba con miles de habitantes “caripunas” ocupando más de la mitad del territorio dentro el actual norte amazónico de Bolivia.
El sabio d’Orbigny alcanzó a verlos en su travesía sin fin, vagando nómadas con el septo nasal atravesado por tacuaras y plumas y tembetas en los labios; los contó por millares, dispersos a lo largo y ancho de la selva lindante con los llanos de Mojos, en la confluencia de los ríos Negro, Beni y Mamoré.
En los albores del siglo XX sostuvieron una sangrienta querella con Nicolás Suárez y su familia, que los despojó de su territorio asesinándolos y cortándoles las orejas para quedarse con la goma y las maderas preciosas. Guayaramerìn y Cachuela Esperanza fueron los primeros desmembramientos del suelo Pacahuara. Pero no fue sino hasta el advenimiento de la dictadura militar de Banzer cuando esta nación fue despojada de su pródigo territorio.
Jamás los Pacahuara se habían resignado a abandonar definitivamente su territorio originario en la provincia Federico Román de Pando, a orillas de su entrañable Río Negro que les señalaba su ruta nómada. En toda la cuenca amazónica desde Colombia al Perú y Ecuador, pasando por Brasil y Bolivia, los ríos de aguas negras, al igual que las cachuelas, son inconmesurable fuente de vida y de vastas riquezas naturales.

El Destierro Pacahuara por obra de Banzer


Bose y Buca Yacu, la pareja pacahuara que fue sacada en su niñez de su territorio en Pando para vivir exiliados en una comunidad chacoba del Beni.
El destierro etnicida se desató en 1974 cuando paramilitares y siringueros ligados a la dictadura de Banzer, en combinación con sicarios brasileños, asesinaron a los principales líderes Pacahuara, entre ellos el padre de Bosé Yacu, porque se negaban a permitir la explotación de los valiosos recursos naturales de esa zona. Los sobrevivientes de la matanza, todavía niños, fueron trasladados en una avioneta a Puerto Tujuré por misioneros evangelistas norteamericanos del Instituto Lunguístico de Verano (ILV), con el manido pretexto de “salvarles la vida”.
De acuerdo al relato de Villar, Córdoba y Combés, en el libro “La Reducción Imposible”, los esposos Gilbert y Marian Prost, misioneros norteamericanos del ILV, habían logrado reducir desde 1955 a varios grupos dispersos y nómadas de indígenas Chacobo, logrando constituir hasta mediados de los setenta “dos grandes concentraciones de chacobos”, una sobre el rio Yata y otra sobre el río Benicito, cerca a Riberalta. “Pronto”, afirman los investigadores, “se suma más al norte, el Puerto Tujuré, un pequeño grupo de pacaguaras —un hombre casado con sus dos hermanas y sus respectivos hijos— al borde de la extinción, debido a las epidemias y los conflictos con los caucheros, que son contactados en la margen izquierda del rìo Negro (Pando, nr) por el misionero Guy East, el mismo Prost y los chacobos Paë Durán y Caco Morán”.
La periodista Gisela López Rivas, de El Deber, entrevistó en agosto del 2004 al chacobo Caco Morán, quien recordó que el “hospedaje” a los sobrevivientes Pacahuara en Puerto Tujuré, en 1974, fue gestionado por los misioneros norteamericanos. “Esa vez, los Chacobo se pusieron de acuerdo con los gringos para aceptarlos a los Pacahuara”, recordó el anciano chacobo, Morán.

Buca Yacu, el último jefe pacahuara, desterrado al Beni por Banzer, que intentó volver con su diezmado pueblo a su territorio en Pando; el actual Gobierno se lo impidió.
El “hombre casado con sus dos hermanas y sus respectivos hijos” era el padre de Buca Yacu, aquel sobreviviente Pacahuara que intentó volver en el 2009 de Puerto Tujuré a su territorio originario sobre el Río Negro de Pando, actualmente ocupado por una empresa maderera que detenta una concesión de 220.000 hectáreas. Remberto Terrazas informó que Buca Yacu relataba las circunstancias en que mataron al padre de su esposa Bose (o Busi) y a todos los de su pueblo: “Mi padre murió aquí, nosotros llegamos pequeños a este lugar. A su padre de Busi lo mataron”.
Sacando partida del pavor que les impusieron los empresarios banzeristas en el bosque invadido, los misioneros del ILV convencieron a los Pacahuara que sobrevivieron a la masacre, con engaños, para ser “relocalizados” en tierras chacobas del Beni, en Alto Ivón.
Desde entonces el territorio originario de los Pacahuara en la provincia Federico Román de Pando se convirtió en una propiedad privada forestal que fue sucesivamente transferida, en las tres décadas transcurridas desde el exterminio Pachauara por obra de Banzer, a diferentes empresas madereras, hasta llegar a Mabet, cuya concesión fue “saneada” por el actual gobierno de Evo Morales, consolidando el despojo y contraviniendo el precepto constitucional que prioriza los derechos territoriales de los pueblos originarios, que en este caso debió implicar la restitución de ese territorio en favor de los sobrevivientes Pacahuara, cuya población en un destierro de más de 30 años se redujo drásticamente, hasta contar actualmente con no más de 20 miembros.

¿Un Estado Plurinacional Banzerista?


El dictador Banzer durante una de sus frecuentes “visitas” a Pando, a mediados de los setenta.
Los Pacahuara creyeron que el momento de retornar a su territorio natal en ese punto paradisiaco de la biósfera, después de 37 años de un exilio forzado, había llegado con el advenimiento del Estado Plurinacional. Mas no sospecharon que instituciones como el Instituto Nacional de Reforma Agraria (Inra) y la Autoridad de Fiscalización de Bosques y Tropicales (ABT), así como el Viceministerio de Tierras, se habían esmerado en consolidar la concesión de ese pródigo territorio a favor de una empresa maderera, durante el proceso de saneamiento de tierras en el 2008.

Bose Yacu, la niña guerrera pacahuara, todavía habitando su territorio en Pando, donde vio morir a su padre asesinado en la dictadura.
Tras aquel saneamiento que legaliza y consolida el despojo del territorio indígena a favor de concesiones madereras que le deben su negocio al exterminio étnico desatado por la dictadura de Banzer, el actual gobierno del presidente Evo Morales niega rotundamente toda posibilidad de vida Pacahuara en el Río Negro, no hay posibilidad alguna de que los Pacahuara retornen a Pando.
Para Alejandro Almaraz, quien ejercía el cargo de Viceministro de Tierras, encargado de emitir los certificados de saneamiento de tierras en el 2008, los Pacahuara no necesitan más territorio que las parcelas que comparten con los Chacobo en Puerto Tujuré, y que posibles intentos de retornar a Pando son improbables al no ser vistos los grupos de pacahuaras nómadas que merodean por las concesiones madereras en la provincia Federico Román. “Pese a los esfuerzos de organizaciones indígenas, académicas, otras personas de buena voluntad y el propio Estado, los datos sobre la presencia de estas parcialidades en el país, y su ubicación geográfica, son escasos y poco sólidos, sin llegar a otorgar certezas”, sostuvo Almaraz.

Bose Yacu en Puerto Tujuré, Beni, a donde “Ademaf” le llevó de regalo un radio transistor, pasando por alto su exigencia de que le devuelvan su territorio.
Debido a esa supuesta ambigüedad existencial (casi surrealista) argüída por el ex Viceministro, la nación Pacahuara no tuvo la suerte de ser beneficiada con su inalienable derecho territorial durante el proceso de Saneamiento en Pando (que concluyó en el 2008 bajo la dirección de este ex funcionario), motivo por el cual el Viceministerio de Tierras, el Inra y la ABT, cumpliendo instrucciones emanadas desde el Ministerio de la Presidencia, determinaron consolidar cuatro concesiones forestales que suman más de 220.000 hectáreas en favor de la empresa maderera Mabet, la cual realiza sus operaciones de explotación del bosque sobre la zona de los ríos Negro y Pacahuara, exactamente el área que hasta antes de la dictadura militar de Banzer, en los años 70, era ocupada como hábitat natural por la etnia Pacahuara, hoy irremediablemente desterrada en el Beni.
Más allá de explicar con simpleza y claridad cómo es que los encargados estatales de la administración de tierras y territorios permitieron que un delito etnocida que se inició en la dictadura de Banzer (cometiéndose crímenes de lesa Humanidad como fueron los asesinatos a los jefes Pacahuara que resistían el avasallamiento maderero) termine consolidándose en los albores del Estado Plurinacional, el Gobierno del presidente Evo Morales se enreda en recurrentes contradicciones al reconocer que “es cierto que una parte importante del departamento de Pando corresponde al territorio histórico y ancestral del pueblo Pacahuara”;pero al mismo tiempo pasa por alto el precepto constitucional que pone por encima de los intereses empresariales los derechos de los pueblos indígena originarios en peligro de extinción, y la obligación inexcusable de las autoridades de brindarles protección y respeto a sus territorios ancestrales.

Profanando un derecho territorial indígena


Bose Yacu, la última heroina Pacahuara; después de ella quedará extinguida una de las 36 naciones constitucionales del Estado Plurinacional de Bolivia.
El primer derecho de concesión fue otorgado a empresarios madereros por el Estado boliviano en julio de 1997 (a inicios del gobierno civil de Hugo Banzer Suárez), por un periodo de “40 años prorrogables”. Las concesiones madereras operan sobre un territorio declarado desde la dictadura de Banzer como  Reserva Fiscal Disponible, desconociendo su carácter de territorio indígena como fue desde los tiempos ancestrales. Curiosamente, el actual gobierno de Evo Morales ratificó la declaratoria de Reserva Fiscal Disponible, dejando abierto este territorio para su entrega como concesión maderera. Este territorio debió ser adecuadamente preservado por el Estado Plurinacional para sus antiguos dueños originarios como una Reserva Fiscal No Disponible, es decir como un Parque Nacional, como un Santuario Pacahuara.
La concesión maderera a Mabet en territorio Pacahuara, y la actual Ley Forestal que legitima esa presencia extractiva en el bosque indígena, vulneran el artículo 33 de la Constitución Política del Estado Plurinacional de Bolivia, que estipula:
  1. Las naciones y pueblos indígena originarios en peligro de extinción, en situación de aislamiento voluntario y no contactados, serán protegidos y respetados en sus formas de vida individual y colectiva.
  2. Las naciones y pueblos indígenas en aislamiento y no contactados gozan del derecho a mantenerse en esa condición, a la delimitación y consolidación legal del territorio que ocupan y habitan.
En vez de revertir una política devastadora que data desde las épocas de la dictadura banzerista, los funcionarios del actual régimen “aprovecharon” el exilio forzado que sufrieron los Pacahuara desde los años 70, para favorecer a una empresa maderera que explota los recursos forestales de la zona siguiendo los criterios dictados por la ONG “certificadora” Rainforest Alliance, socia de Usaid dentro un programa financiado por esta agencia norteamericana denominado “Iniciativa para la Conservación en la Amazonía Andina”.
Fuente: Sol de Pando (Pando), 21/08/2012

Foto: Una niña Pacahuara que fue “trasladada” contra su voluntad al Beni, desde su territorio originario en Pando, durante la dictadura de Banzer, en 1974, desatándose un impune etnocidio que sigue en curso.

Thursday, September 20, 2012

Los sicilianos se rebelan contra la Mafia


Ander Izagirre
Las bombas mataron en 1992 a los jueces Falcone y Borsellino pero también sacudieron como nunca las conciencias sicilianas. Algunos adolescentes de esa época, conmovidos por los atentados y por las insólitas manifestaciones de protesta, encabezan ahora los movimientos civiles antimafia. En las ciudades, cientos de comercios se niegan a pagar el chantaje; en el campo, los agricultores jóvenes cultivan tierras confiscadas a los capos.
Libero Grassi, dueño de una fábrica de pijamas y calzoncillos, publicó esta carta en el Giornale di Sicilia el 10 de enero de 1991: “Queridos extorsionadores: pueden ahorrarse las llamadas telefónicas amenazantes y los gastos en bombas y balas, porque no vamos a pagar el chantaje y estamos bajo protección policial. He construido esta fábrica con mis manos, es el trabajo de mi vida, y no pienso cerrarla”. En esa misma fecha acudió a una comisaría de Palermo y puso una denuncia contra los mafiosos que le visitaban y le llamaban. Algunos de ellos fueron detenidos. Como consecuencia de este gesto, Grassi solo vivió ocho meses más.
Durante esos últimos meses apareció en diarios, radios y televisiones, llamando a la rebelión cívica contra la Mafia. Una noche asaltaron su fábrica, se la destrozaron y le robaron la cantidad exacta de dinero que le reclamaban. Él siguió su empeño contra las amenazas, el miedo, incluso el desprecio: “Muchos clientes han dejado de venir a nuestra tienda. El presidente de la Asociación Industrial declaró que yo hacía demasiado ruido. Otros empresarios dicen que mancho la imagen de Sicilia, que la ropa sucia no hay que lavarla en público y que voy a los medios por afán de protagonismo. Ellos siguen pagando. Consideran que la Mafia es invencible. Comprendo el miedo, pero si todos colaboráramos con la policía y diéramos los nombres de quienes nos chantajean, la extorsión se acabaría pronto. Yo no soy un quijote, ni un moralista ni un apóstol. Solo quiero seguir tranquilamente mi camino”. El 29 de agosto de 1991, Grassi salió de su casa a las 7.30 de la mañana. Antes de llegar al coche, el mafioso Salvatore Madonia se le acercó y le pegó tres tiros en la cabeza.
Dos años antes, la Policía había descubierto un libro de cuentas de la familia Madonia con los detalles de las empresas a las que cobraban el pizzo, el chantaje mafioso: unos 150 negocios de un barrio de Palermo —restaurantes, concesionarios de coches, tiendas, talleres y fábricas—, que pagaban entre 150 y 7.000 dólares al mes. Ninguna de las 150 personas extorsionadas quiso dar ningún dato a la Policía sobre los chantajistas. Dos años más tarde tampoco hubo ninguna declaración sobre el asesinato de Grassi. Nadie vio nada.
Cuando la Mafia mató a mi marido, muchos amigos dejaron de saludarme”, recuerda ahora Pina Maisano, de 83 años, viuda de Grassi. “Si nos cruzábamos por la calle, hacían como que no me conocían. Me quedé con un hijo y una hija y nadie me apoyó. Las asociaciones de empresarios callaron, los partidos políticos se desinteresaron, el Estado me ignoró. Me sentí muy sola. Fueron unos años de mucho desamparo. Hasta que decidí pasar al contraataque”.
Palermo despierta
Doce años después del asesinato de Grassi, una mañana las calles de Palermo aparecieron empapeladas con miles de adhesivos que decían: “Un pueblo que paga el pizzo es un pueblo sin dignidad”. Una periodista preguntó a Maisano si conocía a los autores de las pegatinas. “No, yo no los conocía, pero le dije a la periodista que para mí era como si fueran mis nietos”. Unos días más tarde, tres jóvenes fueron a visitarla y se le presentaron: “Pina, somos tus nietos”.
Edoardo Zaffuto, palermitano de 36 años, fue uno de los primeros integrantes del grupo Addio Pizzo (“adiós al chantaje”), uno de los nuevos “nietos” que se acercaron a Pina Maisano. Su compromiso por la lucha antimafia había brotado durante la adolescencia, poco después del asesinato de Grassi: “Los chicos y las chicas de mi edad crecimos en los años 80 con tiroteos diarios por las calles de Palermo, pero nunca hablábamos de la Mafia, ni en casa, ni en el colegio, ni entre los amigos. Hubo un momento clave que a muchos nos hizo despertar: las imágenes brutales del atentado contra el juez Falcone, que había condenado a cientos de mafiosos en el macrojuicio de Palermo, esas imágenes del cráter de la autopista y los coches destrozados”. Zaffuto tenía 15 años cuando los capos de Sicilia programaron aquel bombazo.
El detonador se lo dejaron al sicario Giovanni Brusca, el Matacristianos, responsable confeso de “muchos más de cien pero menos de doscientos asesinatos”. Porque sabían que Brusca no iba a dudar. El 23 de mayo de 1992, cuando la caravana de tres coches blindados pasó por el punto preciso, apretó el botón y explotaron quinientos kilos de TNT ocultos bajo la autopista. El primer automóvil voló setenta metros y cayó en un olivar, con los cuerpos despedazados de los escoltas Antonio MontinaroVito Schifani y Rocco Di Cillo. En el tercero, que resistió la sacudida, resultaron heridos otros tres escoltas. El segundo coche reventó y cayó al cráter abierto en el asfalto. En él quedaron malheridos el juez Giovanni Falcone y su mujer Francesca Morvillo, que morirían pocas horas después.
A las pocas semanas, el 19 de julio de 1992, Paolo Borsellino fue a visitar a su madre en un barrio de Palermo. Era otro de los jueces que había dirigido el macrojuicio, como mano derecha de Falcone. Cuando se acercaba al portal, explotó un coche cargado con cien kilos de TNT: murieron Borsellino y cinco escoltas. Su viuda organizó un funeral privado y prohibió que los políticos participasen: los jueces llevaban años lamentando la escasa implicación del Estado en la lucha contra la Mafia y hasta su complicidad con ella, se quejaban de los pocos recursos de los que disponían y del desamparo en el que habían muerto asesinados otros investigadores anteriores, como el juez Terranova, el prefecto Dalla Chiesa y hasta ocho periodistas sicilianos. “Morimos porque estamos solos”, había declarado Falcone. El historiador John Dickie, en su libro Cosa Nostra, afirma que el Estado italiano como tal nunca se enfrentó a la Mafia: la batalla la dio “una heroica minoría de jueces y policías, respaldados por otra minoría de políticos, miembros de la administración, periodistas y ciudadanos normales y corrientes”.

Recorrido de turismo antimafia con Rita Borsellino, hermana del asesinado juez Borsellino y eurodiputada. El joven de la barba es Edoardo Zaffuto.
En las exequias por los cinco escoltas de Borsellino, una muchedumbre de policías de paisano y de ciudadanos palermitanos rompió el cordón de seguridad y entró en tromba a la catedral de Palermo para encararse con las autoridades. Al presidente de la República, Oscar Luigi Scalfaro, y al presidente del Gobierno, Giuliano Amato, zarandeados, insultados y ahogados por la avalancha, los sacaron del templo en volandas. “Fue el día en el que los sicilianos nos levantamos y acusamos a las autoridades, en su misma cara, de no hacer nada para proteger a los jueces y protegernos a nosotros. El Estado nos tenía abandonados”, recuerda Francesco Giglio, que ahora tiene 37 años y entonces era otro de esos adolescentes palermitanos que empezaba a desarrollar un compromiso antimafia. “Echamos a los políticos de la catedral porque solo nosotros teníamos derecho a llorar por nuestros hermanos, que habían muerto para liberarnos. En los días siguientes, algunos compañeros recorrimos las escuelas de la ciudad para pedir a los alumnos que marcharan con nosotros hasta el árbol de Falcone”. Ese árbol, situado frente a la casa del juez asesinado, se convirtió en núcleo de peregrinaciones: los palermitanos dejaron allí flores, mensajes, poemas, fotografías. “Por primera vez, la gente perdió el miedo de gritar su rabia contra la Mafia y contra las instituciones sordas y ciegas”, sigue Giglio. “Fue un momento de gloria. Tras muchos años de toques de queda y silencio institucional, mi ciudad volvió a nacer. Me sentí orgulloso de ser siciliano, como nunca me había sentido antes. Desde entonces, todo cambió”.
Apenas unos meses antes, a principios de 1992, se habían hecho firmes las sentencias del macrojuicio dirigido por Falcone y Borsellino. Tras muchos años de investigaciones, procesos y apelaciones, en un camino entorpecido a menudo desde las propias instituciones del Estado, las sentencias finales condenaron a 360 mafiosos. Y gracias a las revelaciones del capo arrepentido Tommaso Buscetta, demostraron que la Mafia funcionaba como una organización jerarquizada, regida por una comisión que decidía los crímenes principales, y que constituía un Estado paralelo infiltrado en las instituciones, los partidos políticos y los negocios. Hasta entonces, como explica Dickie, era frecuente que se negara la propia existencia de la Mafia: muchos políticos, empresarios o intelectuales consideraban que la violencia se debía a una mera cuestión de carácter siciliano, una tradición de grupos que funcionaban al margen de la ley con la “viril arrogancia de quien vela por sus intereses”, de gente violenta pero con un código de honor que incluso le confería cierto glamour.
Santino di Matteo, uno de los mafiosos que preparó el atentado contra Falcone, fue detenido y comenzó a colaborar con la justicia. Entonces el Matacristianos Brusca secuestró a su hijo, Giuseppe di Matteo, de 12 años, lo tuvo encerrado veintiséis meses y al final ordenó que lo estrangularan y lo disolvieran en una bañera de ácido nítrico. No fue el arrebato de un loco: fue una decisión colectiva de los líderes de la Mafia, coherente con su código de honor. El sicario que ahogó al niño lo explicó así ante un tribunal: “Yo era un soldado de la Cosa Nostra, obedecía órdenes y sabía que estrangulando a un niño podía hacer carrera. Estaba muy contento”. Este era el carácter sistemático y atroz de la Mafia que revelaron Falcone y Borsellino durante el macrojuicio. Por eso fueron asesinados a bombazos en los meses posteriores.
Esos atentados sacudieron Palermo como nunca antes. Miles de ciudadanos colgaron sábanas de los balcones en señal de protesta, trenzaron una cadena humana que cruzaba la ciudad y salieron en una marcha masiva contra la Mafia. Entre los manifestantes estaban Pina Maisano, pocos meses después de que asesinaran a su marido, y Edoardo Zaffuto, el adolescente que empezaba a abrir los ojos, impresionado por la brutalidad mafiosa. Sus caminos se entrelazarían doce años más tarde.
En esas manifestaciones hubo algo que conmovió al joven Zaffuto y que marcó el carácter de sus primeras militancias: “Por primera vez leí y escuché frases contra la Mafia. ¡De eso no se hablaba nunca! Pero cuando miles de personas fueron capaces de juntarse para protestar en voz alta, consiguieron una gran fuerza. Por eso, cuando empezamos nuestra campaña contra la extorsión, decidimos que primero debíamos romper el silencio”.
Así pues, el 29 de junio de 2004 siete jóvenes recorrieron de madrugada las calles de Palermo pegando miles de carteles: “Un pueblo que paga el pizzo es un pueblo sin dignidad”. Cuando los palermitanos despertaron y salieron a la calle, quedaron conmocionados con aquel grito antimafia que inundaba su ciudad. Al mediodía los informativos sicilianos abrieron con imágenes de las paredes empapeladas, por la tarde las autoridades improvisaron una rueda de prensa para mostrar su apoyo a los comerciantes que rechazaran el pizzo y la cámara de comercio anunció que pondría de nuevo en marcha el teléfono para recibir las denuncias confidenciales de empresarios chantajeados. El teléfono lo habían suspendido unas semanas antes porque nadie denunciaba nada.
La mera palabra pizzo era tabú”, dice Zaffuto. “Nadie hacía comentarios sobre el chantaje cotidiano, pero unos pocos jóvenes empapelaron la ciudad con esa palabra y obligaron a que los medios, las autoridades y los ciudadanos hablaran sobre el asunto. Al nombrar el problema, empezamos a encararlo”. Así dieron continuidad al empeño de Borsellino, quien poco antes de ser asesinado declaró: “Hablad de la Mafia. Hablad de ella por la radio, por la televisión, por los periódicos, no paréis de hablar de ella”. El silencio y el miedo, explicaba el juez, componen el ecosistema ideal para que prospere la Cosa Nostra sin que nadie la moleste.

Plaza de la Memoria, en Palermo.
Comercios que no pagan
También Pina Maisano se empeña en divulgar las palabras de su marido, en propagar la voz rebelde que la Mafia quiso acallar con tres balazos. Es una mujer de 83 años, menuda, de pelo blanco y movimientos muy suaves, que se ha convertido en uno de los iconos de la resistencia cívica. Encabeza manifestaciones, concede entrevistas en los medios, viaja por escuelas de toda Italia para hablar con crudeza sobre los estragos de la Mafia y desmontar el glamour de los matones. En la sede de la organización Addio Pizzo, donde se reúne a menudo con sus “nietos”, señala una foto enmarcada: “Es la última que le hicieron a Libero, en una chalupa, en Mondello, dos días antes de que lo asesinaran”. Lo cuenta en un tono casi inaudible, con un cariño y una dulzura que estremecen. “Libero era un hombre muy valiente. Sabía muy bien lo que hacía, sabía que estaba condenado a muerte, pero tenía una conciencia aguda de la injusticia. No solo se negó a pagar el pizzo, sino que impulsó un movimiento contra la Mafia. Escribió en los diarios y fue a las televisiones. Rompió el silencio. Por eso lo mataron”.
Yo tenía 16 años cuando asesinaron a Libero Grassi”, recuerda Zaffuto, de pie junto a la viuda. “Entonces en Palermo se asumía que si no pagabas a los mafiosos, seguramente te destruirían el negocio o te matarían. Era lo normal. Hasta 2004 apenas nadie denunciaba las extorsiones a la policía. Para dar la vuelta a tanta resignación, era necesario que muchos comerciantes se rebelaran al mismo tiempo y que tuvieran una protección de la sociedad”. Tras la campaña de los adhesivos, los jóvenes de Addio Pizzo tantearon en 2005 a aquellos empresarios y comerciantes palermitanos que parecían dispuestos a rechazar el chantaje públicamente. Pidieron a Maisano que presidiera una comisión de garantías: un grupo de jueces, escritores, periodistas, sacerdotes y otras personalidades palermitanas que apoyaban la iniciativa. Maisano aceptó y en 2006 presentaron la primera lista de cien empresas y comercios que decían no a la Mafia.
Vivimos un momento crítico cuando los mafiosos quemaron la ferretería Guajana, uno de los negocios de la lista”, explica Zaffuto. “Ahí se jugó nuestra credibilidad como garantía antimafia. Pero la reacción fue muy buena: teníamos mucho eco en los medios y conseguimos presionar al Gobierno para que diera un nuevo local a Guajana, como preveía la ley, pero para que lo hiciera inmediatamente. La respuesta rápida era clave”. Gracias a un apoyo social cada vez mayor, el activista cree que están derrotando el miedo paso a paso: “Ningún comercio adherido al Addio Pizzo volvió a sufrir ataques. A la Mafia le interesa la discreción, no le conviene atacar a una iniciativa que hace mucho ruido en la sociedad. Tres mafiosos detenidos explicaron ante el juez que existía una orden de dejar en paz a nuestros comercios. Así que poner el adhesivo de comercio afiliado al Addio Pizzo en el escaparate ya no es exponerse a un ataque, sino la mejor manera de defenderse”.
Addio Pizzo también edita una guía de “consumo crítico”, en la que aparecen los negocios que no pagan a la Mafia: “Pedimos a los palermitanos que consuman en esas tiendas. Es una decisión ética: así apoyan a los valientes, animan a que se sumen más comercios y dejan de financiar a la Mafia. Porque cuando los ciudadanos consumimos en una panadería, una carnicería, una sala de cine o una librería que paga el pizzo, una parte de nuestro dinero acaba llegando a la Cosa Nostra”.
Andrea, un palermitano de 40 años que prefiere ocultar su verdadero nombre, abrió un pequeño restaurante en el centro de la ciudad a principios de 2012. Asegura que no paga el chantaje: “Los de mi generación ya no funcionamos con la mentalidad tradicional. Tenemos formación universitaria, conocemos nuestros derechos, sabemos la importancia de una economía legal… En otros barrios de Palermo, donde la vida sigue siendo más cerrada, casi todos los comerciantes pagan el pizzo. Pero los negocios más modernos del centro no lo hacemos. La sociedad está cambiando. Si yo recibiera alguna extorsión, iría inmediatamente a poner una denuncia. Por suerte, los jueces y la policía luchan contra la Mafia con más decisión que hace veinte años, que en tiempos de Libero Grassi, y los mafiosos han perdido fuerza en las calles”.
Con un creciente número de denuncias, con su poderío militar debilitado por las instituciones y por la resistencia ciudadana, los nuevos capos renunciaron a los atentados callejeros y desplazaron sus negocios a los tráficos ilegales, las finanzas y los altos despachos. “Pero en la calle tampoco podemos cantar victoria. La mayoría de los negocios de Palermo sigue pagando el pizzo”, dice Zaffuto. “Cambiar la mentalidad exige un trabajo enorme: para una panadería de barrio que lleva cincuenta años pagándola, la extorsión ya está incorporada como un impuesto más, no la consideran anormal”.
En cualquier caso, los avances son considerables. Si en la primera guía publicada en 2006 aparecían cien comercios de Palermo que rechazaban el pizzo, en la última, de 2011, ya son más de setecientos.

Tienda de productos Pizzo Free, una luz en la oscuridad.
Macarrones libres de mafia
Los sicilianos también pueden comprar “macarrones libres de Mafia”. Y vino, aceite, legumbres o mermelada. Los encuentran, por ejemplo, en la Tienda de la Legalidad, donde se venden productos elaborados por cooperativas agrícolas muy peculiares: cultivan tierras incautadas a la Cosa Nostra, no pagan chantajes y así lo proclaman en sus envases. La Tienda de la Legalidad es una casa confiscada a Bernardo Provenzano, el capo de todos los capos, detenido en 2006. Y está situada en Corleone.
Todo el mundo relaciona Corleone con la Mafia. Es una relación innegable, como en tantos otros lugares de Sicilia, y encima le pusieron nuestro nombre al capo de El Padrino… Pero lo verdaderamente específico de este pueblo es la antimafia: aquí han nacido algunas de las luchas cívicas más valientes”, explica Massimiliana Fontana, gerente del CIDMA (Centro Internacional de Documentación sobre la Mafia y la Antimafia), una institución situada en este pueblo del que salieron los capos más sangrientos del siglo XX: NavarraLeggio,Riina y Provenzano.
La historia de Corleone, una pequeña ciudad agrícola y ganadera de la provincia de Palermo, representa un ejemplo ideal para ver cómo la Mafia ha tiranizado a los sicilianos y cómo en los últimos años se están sacudiendo esa opresión.
El viajero inglés W. A. Paton describió Corleone en 1897 como un pueblo de “mujeres pálidas y anémicas, hombres de ojos hundidos, niños anormales y andrajosos que mendigaban pan, gruñendo con voz ronca como viejos cansados del mundo”. El interior rural de Sicilia, según los informes de la época, era una región de miseria, hambre, analfabetismo, malaria, en la que los campesinos vivían sometidos a los terratenientes en condiciones cercanas a la esclavitud. Una organización militarizada velaba por mantener esa situación de dominio feudal: los primeros grupos mafiosos.
Los terratenientes vivían en sus palacios de Palermo y encargaban la administración de las tierras a losgabelloti, unos intermediarios tiránicos que cobraban las rentas, se quedaban con parte de ellas, extorsionaban a los campesinos, organizaban bandas de asaltantes y cuatreros, y asesinaban a quien hiciera falta para controlar el comercio de alimentos con la ciudad. Como relata Dickie, el recién nacido Estado italiano fue incapaz de imponer una fuerza legal y democrática en la remota Sicilia, así que los capataces rurales se instalaron en ese vacío, formaron bandas violentas, se extendieron de negocio en negocio y se especializaron hasta constituir una eficaz “industria de la violencia”, un gremio más del sector servicios siciliano: si un agricultor o un comerciante quería que sus negocios prosperaran, que nadie destruyera las cosechas ni asaltara los transportes, debía contratar los servicios de “protección” de los mafiosos. En las siguientes décadas, este sistema de chantaje y violencia se fue consolidando como una gran estructura de familias coordinadas y dirigidas por una comisión central. Se infiltró en las ciudades, controló ayuntamientos, saqueó fondos públicos, manejó empresas, se apoderó de grandes negocios como el de la construcción y dio el salto al tráfico mundial de drogas y armas. Por el camino cayeron cientos y cientos de cadáveres, los de cualquier persona que se opusiera a sus negocios.
El Estado italiano recién nacido tampoco fue capaz de proveer un bienestar mínimo para los sicilianos. Por eso, ante el paro, la pobreza y la falta de oportunidades, la Mafia cultivó una imagen de organización preocupada por los suyos, que daba trabajo y protección a sus paisanos, que defendía valores como la familia, la lealtad y el honor. Esa propaganda moral sedujo a muchos sectores de la sociedad. Y maquilló un sistema de opresión implacable, cuyos únicos criterios eran la acumulación de riqueza y poder. La Cosa Nostra concedía favores a cambio de una sumisión absoluta, imponía la extorsión y el silencio obligatorio, establecía pactos de corrupción y complicidad con los poderes políticos, fueran del color que fueran, y asesinaba a cualquiera que incordiara.
Algunas de las primeras rebeldías brotaron precisamente en Corleone. En la década de 1890, Sicilia vivió una proliferación de los llamados fascios, embriones de los actuales sindicatos: eran ligas locales de campesinos y mineros, inspirados en una amalgama de ideas socialistas, cristianas y democráticas, que peleaban por mejorar las atroces condiciones laborales de la época. En Corleone, la hermandad de campesinos estaba liderada porBernardino Verro, un funcionario municipal que fue despedido por denunciar el poder abusivo de los mafiosos y los terratenientes. Predicaba el socialismo, la unión de los trabajadores y la igualdad de hombres y mujeres. Y montó una iniciativa que atacaba directamente a la Cosa Nostra: dirigió una cooperativa agrícola en la que los propios socios arrendaban la tierra, la gestionaban, se repartían los beneficios de manera equitativa y prescindían de los intermediarios mafiosos. Los corleoneses, entusiasmados por este sistema más justo y libre, votaron en masa por Verro y lo convirtieron en alcalde de Corleone en 1914. Un año más tarde, varios sicarios lo mataron a tiros en una calle del pueblo.

Voluntarios en tierras incautadas a la mafia.
Así se inauguró la tradición mafiosa de asesinar a quienes luchaban por los derechos de los trabajadores. En 1948, el sindicalista corleonés Placido Rizzotto, impulsor de una campaña para que los campesinos sicilianos obtuvieran la propiedad de las tierras, fue secuestrado, asesinado y arrojado a una sima en las montañas. Sus restos no se encontraron hasta 2009 y no se pudieron identificar hasta marzo de 2012. La noche del asesinato, un pastor de 13 años llamado Giuseppe Letizia, que cuidaba su rebaño, presenció el crimen. Al día siguiente su padre lo encontró tirado en el campo, delirando, con fiebre alta, y lo llevó al hospital. Allí, cuando empezó a recuperarse, el niño relató el asesinato. Y a las pocas horas murió tras recibir una inyección letal. El director del hospital era el doctor Michele Navarra, el capo de Corleone. El médico que atendía al niño bajo las órdenes de Navarra abandonó su puesto de trabajo y a los pocos días emigró a Australia.
En esos años de la posguerra mundial se estaba gestando la terrible dinastía corleonesa. A Navarra lo mató en 1956 su vecino y antiguo subordinado Luciano Leggio, que así se convirtió en el nuevo capo. A partir de los años 70, a Leggio lo sucedieron sus socios Totò Riina y Bernardo Provenzano. Los corleoneses dirigieron el “saqueo de Palermo” (la fiebre de construcción salvaje que arruinó la capital siciliana, con la ayuda de los alcaldes corruptos Salvo Lima y Vito Ciancimino) y después, con el propósito de dominar en exclusiva el tráfico mundial de heroína, lanzaron una guerra de liquidación contra las facciones mafiosas rivales, que dejó más de mil muertos en apenas dos años, entre 1981 y 1983.
La campaña de exterminio les dio el poder pero acabó volviéndose en su contra. Uno de los enemigos a los que derrotaron fue Tommaso Buscetta, capo de los dos mundos, emperador de la heroína en Sicilia y América: los corleoneses le mataron dos hijos, un hermano, un yerno, un cuñado y cuatro sobrinos. Cuando fue apresado en 1983, Buscetta decidió vengarse testificando contra los corleoneses. Pidió una entrevista con el juez Falcone y empezó a desvelar el entramado de la Mafia como nunca nadie había hecho antes. Así arrancaron las investigaciones del macrojuicio de Falcone y Borsellino, que acabaron con cientos de mafiosos condenados y con la organización muy dañada.
En diversas épocas, los capos corleoneses fueron detenidos y condenados a cadena perpetua: Leggio en 1974, Riina en 1993 y Provenzano en 2006. Con los grandes nombres de la Mafia entre rejas, los vecinos de Corleone se empeñaron en rescatar los grandes nombres de la antimafia. En 2001 unos jóvenes agricultores del pueblo se atrevieron a cultivar terrenos incautados a la Cosa Nostra, y a su cooperativa le dieron el nombre de Placido Rizzotto, el sindicalista corleonés asesinado y olvidado en una sima durante seis décadas.
Esta singular iniciativa de las cooperativas antimafia también surgió como una reacción ciudadana tras los asesinatos de Falcone y Borsellino. El sacerdote Luigi Ciotti, conocido en Italia por su trayectoria de luchas sociales, aprovechó las protestas masivas de Palermo para proponer un plan contra el crimen organizado. Recogió un millón de firmas en todo el país, consiguió que se convocara un referéndum y que en 1996 se promulgara una ley: la que permite que los bienes confiscados a la Cosa Nostra sean cedidos a organizaciones con fines sociales. También fundó Libera, una red antimafia que hoy une a más de 1.500 asociaciones, sindicatos y escuelas de toda Italia. En esos años nació el proyecto de especializar Corleone como ciudad antimafia: allí fundaron el Centro Internacional de Documentación de la Mafia, montaron la Tienda de la Legalidad en una casa confiscada al capo Provenzano y una casa rural en terrenos incautados a Riina, dedicaron una plaza a Falcone y Borsellino…
En ese ambiente de reacción social contra la Mafia, los quince agricultores de la cooperativa Rizzotto se unieron para enfrentarse al miedo. “Al principio resultó muy difícil”, explica Simona Sgroi, palermitana de 32 años y miembro de Libera. “Nadie del pueblo se atrevía a trabajar en terrenos confiscados al capo Riina, nadie quiso dejar en alquiler una máquina cosechadora a la cooperativa, después los mafiosos les quemaron los tractores…”. Pero mantuvieron el pulso hasta ganar la batalla del arraigo social: “La gente del pueblo empezó a ver que la cooperativa les hacía contratos, que por fin cotizaban, tenían seguro médico y derechos laborales, no como cuando mandaban los mafiosos. Vieron que una economía limpia les beneficiaba”, explica Sgroi. “Además las cooperativas salen en los medios de comunicación, en verano llegan voluntarios de toda Italia para la cosecha, y a los mafiosos no les compensa meterse con un movimiento tan popular. La repercusión es el mejor escudo. A la Mafia se la derrota cuando se quiebra el silencio”. Los agricultores antimafia llevan años aumentando la producción, venden en supermercados de toda Italia y han comenzado a exportar vino y pasta.
Incluso conquistan símbolos. Muchos de ellos se forman ahora en el Instituto Profesional para la Agricultura, en Corleone, que tiene una sede asombrosa: una villa con torres, jardines, suelos de mármol y muebles de maderas nobles. Es una mansión confiscada a Totò Riina, el capo que dirigió la guerra mafiosa de los mil muertos, que dominó el negocio de la heroína y que se encargaba de estrangular personalmente a sus víctimas después de que sus sicarios las torturaran. Riina fue precisamente quien ordenó las matanzas de los jueces Falcone y Borsellino. Pero no calculó que del cráter dejado por sus bombas emergería un movimiento antimafia capaz de perseguirlo, encarcelarlo, confiscarle los bienes y hasta de convertir su suntuoso palacio en un centro de educación pública.
El Ayuntamiento de Corleone recicló los salones de los narcotraficantes en aulas para agricultores, en un gesto de democracia simple y cotidiana. Y así lanzó un mensaje poderoso: la sociedad siciliana empieza a recuperar los recursos y la libertad que la Mafia le ha vampirizado durante siglos.

Addio Pizzo en la playa.
DESPIECE:
A cien pasos del asesino
Uno de los vinos que elaboran las cooperativas antimafia de Corleone se llama ‘I Centopassi’: los cien pasos, que era la distancia entre la casa del joven periodista Peppino Impastato y la del capo narcotraficante Tano Badalamenti, que mandó asesinarlo en 1978.
Impastato, hijo de un mafioso de Cinisi, militó desde la adolescencia en grupos socialistas y denunció los abusos que sufrían los campesinos a manos de la Mafia terrateniente. Con 18 años editó una revista y publicó un artículo titulado La Mafia es una montaña de mierda. Su padre lo echó de casa.
Al tiempo fundó Radio Aut, una pequeña emisora en la que emitía un programa satírico contra la Cosa Nostra y parodiaba a su vecino Badalamenti. Una madrugada, Impastato salió de la emisora y fue secuestrado por los hombres del capo. Lo torturaron, le ataron cartuchos de dinamita y lo arrojaron a la vía del tren. A la mañana siguiente, unos operarios descubrieron el reventón y los restos del periodista desperdigados en trescientos metros a la redonda. Tenía 30 años.
Tal y como deseaban hacer creer los mafiosos, los diarios publicaron que Impastato era un terrorista de izquierdas que murió mientras colocaba una bomba en la vía. Las autoridades desarrollaron unas pesquisas chapuceras y desganadas, sin resultados, tal y como denunció una nueva comisión investigadora en el año 2000. El caso se reabrió a finales de los años 90 por el empeño entre otros de Felicia Bartolotta, madre de Impastato. Maltratada por su marido mafioso, harta de los “hombres de honor” y sus códigos de violencia, Bartolotta rechazó la oferta que le hicieron sus parientes de Estados Unidos para vengar a tiros la muerte de Peppino. Peleó hasta que se juzgó y encarceló al sicario Palazzolo, autor del asesinato, y al capo Badalamenti, su inductor. “Renuncié a la venganza”, dijo Bartolotta. “Yo quería verdad y justicia”.

Casa de la Memoria Peppino Impastato, periodista asesinado por la Mafia.
Fotografías cedidas por la asociación Addio Pizzo y y la asociación Libera Terra
De Revista Jot Down, 09/2012